A entrada em vigor do Acordo de Complementação Econômica nº 76 (ACE 76), firmado entre o Mercosul e o Panamá, está prevista para o próximo dia 28 de janeiro de 2026, segundo informação da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).
Essa negociação marca um passo importante na integração regional, ao consolidar mecanismos de cooperação e caminhos para futura liberalização comercial entre os países signatários.
Acordos comerciais, em linhas gerais, oferecem benefícios estratégicos para os países envolvidos ao reduzir barreiras tarifárias, criar previsibilidade regulatória e ampliar o acesso a mercados externos. Para exportadores brasileiros, isso significa potencial redução de custos de entrada no mercado, fortalecimento de cadeias produtivas integradas e maior competitividade de produtos no exterior. Além disso, os ACEs tendem a estimular investimentos, inovação e diversificação das exportações nacionais, criando um ambiente mais favorável para pequenas e médias empresas acessarem mercados externos.
No caso específico do Mercosul com o Panamá, o ACE 76 não prevê, em um primeiro momento, reduções tarifárias imediatas ou listas definitivas de produtos. O acordo, contudo, formaliza o compromisso das Partes em aprofundar negociações futuras, com potencial para a eliminação gradual de entraves ao comércio de bens, serviços e investimentos. Atualmente, as relações econômicas entre os países estão amparadas pelo Acordo de Preferência Tarifária Regional (APTR 04), celebrado entre os países-membros da ALADI, que concede preferências tarifárias de até 12% a determinados produtos de origem brasileira.
O comércio bilateral entre Brasil e Panamá tem apresentado dinamismo nos últimos anos. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países alcançou aproximadamente US$1,6 bilhão, consolidando o Panamá como o principal destino das exportações brasileiras na América Central, ao concentrar cerca de 51% do total exportado pelo Brasil para a região.
O Brasil exporta para o Panamá principalmente combustíveis minerais, máquinas e equipamentos, alimentos, produtos farmacêuticos e automotivos. As importações brasileiras originadas do Panamá são menores em volume, compostas principalmente por matérias-primas e artigos manufaturados em menor escala.
A entrada em vigor do ACE 76 abre uma nova etapa nas relações comerciais entre Mercosul e Panamá, potencializando oportunidades para exportadores brasileiros, promovendo maior integração regional e contribuindo para o fortalecimento do comércio exterior do Brasil no contexto latino-americano. A consolidação desse acordo pode, com o tempo, refletir em aumento substancial dos fluxos comerciais e em uma diversificação mais ampla dos mercados atendidos pelo setor exportador nacional.