Durante muitos anos, em grande parte das empresas, as áreas de Comércio Exterior e Trade Compliance operaram em estruturas separadas, com pouca integração prática nos processos do dia a dia.
Com a chegada da DUIMP e do Portal Único, esse modelo precisa evoluir: as áreas não precisam estar na mesma estrutura, mas precisam estar efetivamente conectadas nos processos.
O Comex continua sendo a área operacional do desembaraço, mas a diferença agora é clara:
as inconsistências de dados passam a ter muito mais rastreabilidade, cruzamento sistêmico e impacto direto no risco da operação.
A nova sistemática amplia significativamente o nível de controle e exposição:
• Catálogo de Produtos como base do despacho
O item precisa estar previamente cadastrado, com atributos, descrição e classificação corretos. Erros deixam de ser pontuais e passam a gerar recorrência de inconformidades.
• Cruzamento automático de informações
Dados fiscais, aduaneiros, administrativos e financeiros passam a dialogar entre si dentro do próprio sistema. A margem para inconsistência diminui.
• Gerenciamento de riscos cada vez mais sensível à qualidade da informação
O histórico do importador, a consistência dos dados e o comportamento operacional influenciam diretamente a parametrização.
Nesse contexto, o papel do Trade Compliance precisa estar enraizado nos fluxos operacionais, mesmo que a estrutura organizacional permaneça separada.
Isso significa atuação concreta em:
- Estruturação e governança do Catálogo de Produtos
- Validação técnica de classificação, atributos e descrição
- Auditoria pré-embarque
- Auditoria pós-despacho
- Revisão contínua de processos e controles
A DUIMP não muda apenas o sistema. Ela muda a responsabilidade sobre a qualidade da informação.
E a pergunta que fica é direta:
sua operação já foi adaptada para essa nova lógica ou continua rodando com a mesma mentalidade da DI?