Seguimos firmes no nosso propósito de apoiar o setor automotivo na implementação da etapa da Reforma Tributária que entra em vigor em 2027 e deve ser implementada ao longo de 2026: a substituição do PIS e da COFINS pela CBS. Essa mudança alterará profundamente a lógica de formação de preços, custos e créditos em um movimento muito semelhante ao que o setor já viveu entre 2002 e 2004.
Na TTMS, essa discussão não é abstrata. Estamos trabalhando intensamente com diversas montadoras, sistemistas, fabricantes de autopeças e varejistas automotivos em projetos de preparação para a reforma. Esse trabalho se soma ao conhecimento histórico acumulado desde o início dos anos 2000, quando acompanhamos de perto a implementação da Lei 10.485/2002 e as demais mudanças de PIS/COFINS. A combinação entre prática atual e experiência passada nos permite oferecer uma visão clara e concreta do que a cadeia automotiva precisa fazer agora.
E já deixamos o convite: no dia 10 de dezembro, realizaremos o webinar Automotive Talks – Reforma Tributária, em que discutiremos exatamente as semelhanças entre o ciclo de 2002–2004 e o momento atual de mudança de custos, créditos e preços na cadeia automotiva. Será uma conversa essencial para quem precisa se preparar com antecedência para 2026.
O foco deste artigo: entender o impacto real do PIS/COFINS no preço dos materiais
Hoje, queremos abordar um ponto que já começa a aparecer nas mesas de negociação entre empresas automotivas: como saber, de forma precisa, qual é o impacto efetivo do PIS e da COFINS no preço dos materiais adquiridos, e por que esse entendimento será decisivo para renegociar preços durante a transição para a CBS.
À primeira vista, pode parecer um cálculo simples. As alíquotas estão nos documentos fiscais; o SPED registra débitos e créditos; muitos preços são negociados como “NET”. Mas quem vive o dia a dia tributário sabe: não basta olhar alíquota. O preço NET que chega à área de compras embute um componente fundamental - o histórico de créditos de PIS/COFINS do fornecedor.
E esse histórico varia enormemente, dependendo:
- da composição dos insumos;
- dos serviços utilizados;
- das interpretações fiscais adotadas;
- das decisões judiciais que a empresa segue;
- e do apetite ao risco tributário de cada fornecedor.
Assim, dois fornecedores vendendo exatamente o mesmo item podem ter custos tributários muito diferentes, o que afeta diretamente sua margem e sua capacidade de repassar preços quando a CBS entrar em vigor.
Por que isso acontece? Porque a base de créditos do fornecedor não é padronizada
O PIS/COFINS é um dos regimes mais controversos do sistema tributário brasileiro. A própria existência da CBS busca simplificar problemas que se acumularam ao longo de anos de disputas.
A decisão do STJ de 2018 sobre o conceito de insumos, embora importante, não fechou a questão. Ainda hoje, o que é ou não creditável depende de:
- decisões pontuais do Judiciário;
- normas e soluções de consulta da Receita Federal;
- estruturas internas de controle;
- e interpretações específicas adotadas por cada empresa.
Isso cria uma enorme variabilidade de créditos escriturados e, por consequência, um impacto diferenciado no preço NET praticado por cada fornecedor.
Para reorganizar preços em 2026 será indispensável que o departamento tributário mergulhe no detalhe da cadeia de fornecimento e forneça às áreas de compras informações profundas para negociações mais precisas.
O risco da simplificação: cuidado com “modelos prontos”
Num ambiente complexo, é natural surgirem soluções simplistas. Calculadoras automáticas, planilhas padrão e “modelos universais de ajuste” parecem tentadores, mas falham em um ponto central: os dados fiscais necessários para renegociar preços não estão totalmente capturados nos sistemas.
Grande parte da informação relevante está:
- na formação de custo do fornecedor;
- em suas decisões de crédito;
- em processos internos;
- em políticas de risco tributário.
Qualquer solução que ignore isso corre o risco de:
- subestimar impacto,
- pressionar por descontos indevidos,
- ou reduzir margens de forma equivocada.
A transição para a CBS não pode ser tratada como um exercício superficial de multiplicar ou substituir alíquotas.
Existe solução? Existe, e ela exige método, dados e estrutura
A boa notícia é que há, sim, caminhos eficientes para lidar com essa complexidade.
A TTMS já aplica metodologias que combinam:
- análises tributárias profundas;
- modelagem de impacto item a item;
- integração entre áreas de compras, fiscal e pricing;
- sistemas de apoio estruturados;
- e governança para conduzir negociações de forma técnica e ágil.
Essas práticas farão parte dos próximos conteúdos da série Automotive Talks – Reforma Tributária, dos nossos webinars e do Treinamento Tax Reform Leader (TRL) que será lançado em breve para o setor automotivo.
Muito obrigado pela leitura. Seguimos juntos nessa jornada de preparo para 2026 com técnica, experiência, transparência e foco na competitividade.